DECLARAÇÃO INTERNACIONAL

O agrupamento Tribuna Classista do Brasil se soma às organizações políticas e partidos que assinam esta Declaração do PO (Argentina), EEK (Grécia), DIP (Turquia), MTL (Finlândia), ROR (França), OKP (Rússia), Levica (Macedônia) e Heqiqat (Azerbaijão) aprovada na Conferência Internacional realizada em Istambul/Turquia, no dia 12/02

– Abaixo o golpe imperialista!

– Defendamos a Venezuela contra o imperialismo e seus lacaios!

– Por uma solução da classe operária para a situação venezuelana!

A Venezuela encontra-se frente a uma tentativa de golpe manipulada pelo imperialismo. Os conspiradores deste golpe preocupam-se pouco em ocultá-lo sob uma máscara democrática, a da reivindicação constitucional de seu fantoche Guadió e o “sufrágio universal”. Este golpe é apoiado por governos reacionários incluindo os da América Latina, especialmente o porta-estandarte fascista de Trump no sul: Bolsonaro. Nós, os partidos e organizações que assinamos esta declaração, declaramos que estamos claramente na contramão desta tentativa golpista que se prepara para derrubar Maduro e o governo venezuelano!

Atualmente, o povo venezuelano está pressionado por um bloqueio de caráter econômico e político. Este bloqueio tem o objetivo de forçar ao povo venezuelano a capitular frente ao imperialismo e seus seguidores dentro e fora do país. Não se pode falar de exercício de livre eleição se o bloqueio continua. A verdade é que se põe em prática a usurpação da vontade do povo. Proclamamos a luta contra o bloqueio econômico e político do imperialismo contra a Venezuela!

Repudiamos a escalada que se tenta colocar em marcha nada menos que em nome da “democracia”, quando é encabeçada pelo magnata ianque que está levando a cabo uma perseguição implacável contra os imigrantes, as minorias, as mulheres e seus direitos e que tenta reforçar o papel dos Estados Unidos como gendarme, destruindo aos povos de todas as nações do Oriente Médio e norte da África. Uma ofensiva que é também encabeçada pelo tristemente célebre fascista brasileiro, rodeado de militares, que chegou ao poder após a proscrição de Lula e depois do golpe de estado  que depôs ao governo de Dilma Rousseff.

Denunciamos a hipocrisia e duplicidade dos promotores desta escalada, que não têm escrúpulos em sustentar ditaduras sangrentas e aberrantes como a encabeçada pelo príncipe saudita Mohammed bin Salman, responsável pelo assassinato e desmembramento de um jornalista oposto ao regime saudita na embaixada desse país na Turquia.

O conflito não é somente de caráter político e econômico. O imperialismo também põe a Venezuela sob ameaça militar. A possível agressão militar também poderia envolver Cuba. Se por acaso a instalação de um golpe militar venha ter sucesso, o início de uma sangrenta guerra civil ou um assalto militar direto dos EUA e seus agentes locais, comprometemos-nos a lutar contra qualquer tipo de intervenção! Defendemos a Venezuela – e também Cuba – contra a ofensiva militar imperialista!

A situação na Venezuela está fortemente relacionada à situação internacional. Com os EUA governado por Trump, as guerras comerciais, especialmente contra a China, sanções contra a Rússia e da retirada dos EUA dos acordos dos mísseis nucleares de alcance médio, as ameaças à Coreia do Norte, a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã e as ondas de sanções sucessivas postas em marcha desde esse ponto em adiante. Agora, o imperialismo está novamente na ofensiva, desta vez na Venezuela.

Este e outros desenvolvimentos reacionários são contestados pela agitação da luta de classes como pode ser visto no movimento dos coletes amarelos e as rebeliões populares em uma grande quantidade de outros países, ganhando uma importância decisiva. O proletariado e as massas trabalhadoras do mundo estão dispostos novamente a empreender grandes lutas no polo oposto de todas as tendências para a barbárie que continuamente produz a crise mundial.

Internacionalmente, estamos em um ponto onde não há uma saída de centro neste planeta dividido por antagonismos de classes irreconciliáveis, onde a maioria trabalhadora é governada por um punhado de sanguessugas exploradores! Atualmente, a situação econômica na Venezuela é de extrema gravidade. Seu povo enfrenta uma terrível miséria.

A Venezuela recuperou o comando soberano de seus recursos petroleiros mas os monopólios imperialistas como a norte-americana Chevron, as europeias Total e Statoil continuam suas atividades de acordo com o governo. As duas terças partes da economia do país estão em mãos do setor privado. A economia de mercado não perdeu sua posição dominante. Impediu-se à classe operária organizar-se independentemente e formar órgãos de poder político, o país continua sendo governado por uma estrutura política da burguesia parlamentar. A economia, que agora é bombardeada pelas sanções imperialistas é arrastada ao colapso pela sabotagem do setor privado a partir do próprio país. O parlamento burguês converteu-se no quartel general dos golpistas.

Não há via intermediária na Venezuela! É afundar nas mãos do imperialismo ou salvar-se através de um governo dos trabalhadores!

Advertimos que, se a tentativa de golpe termina vitoriosa, a Venezuela assistirá a um arremate descomunal de suas riquezas minerais, a perda de importantes conquistas e a implementação dos planos de austeridade e do FMI, como está acontecendo na Grécia, Argentina e outros países sul-americanos, ou seja, novas penúrias e privações.

Qualquer tentativa de chegar a um acordo com o imperialismo e a rejeição a romper com as bases capitalistas está condenada a um beco sem saída. A única saída é repudiar a dívida externa, expropriar os navios petroleiros e pôr a indústria do petróleo sob controle dos trabalhadores, expropriar a riqueza obtida pela burguesia mediante o saque do país, um programa extensivo de nacionalizações sem nenhuma indenização para arrancar o poder econômico que ostentam os conspiradores e pôr fim à crise que se manifesta em hiperinflação, baixos salários, desemprego e uma verdadeira anarquia no mercado. Deve ser apoiado todo tipo de auto organização da classe operária para assegurar sua independência política e organizativa já, seja nas fábricas, e nos locais de trabalho, ou nos bairros urbanos e na zona rural. A classe operária venezuelana deveria ser armada contra a tentativa golpista. Deveriam ser formados comitês de soldados dentro da tropa para sufocar qualquer tentativa dos oficiais militares de alinhamento com o golpe imperialista. Agora, certamente estas medidas só podem ser implementadas na Venezuela de forma completa e consistente por um governo dos trabalhadores.

Chamamos a todos os partidos e movimentos dos trabalhadores, socialistas e anti-imperialistas do mundo a se unir contra a tentativa de golpe de estado imperialista na Venezuela, a organizar a solidariedade com o povo venezuelano e dar um combate internacional para ajudar aos trabalhadores venezuelanos a chegar a uma solução de classe para a crise. Vencer ao imperialismo passa pela mobilização de massas contra o complô imperialista, por acertar tantos golpes quanto seja possível nos imperialistas e seus seguidores em nossos países e pela Unidade Socialista da América Latina.

Advertimos sobre a gravidade da crise humanitária, mas opomos-nos à proposta imperialista de implementar ajuda de emergência para se infiltrar no país politicamente e converter a Venezuela em uma colônia. Chamamos aos trabalhadores, especialmente da América Latina a organizar uma ajuda humanitária sob controle das organizações operárias e representantes dos trabalhadores eleitos em seus locais de trabalho.

Longa vida ao internacionalismo proletário!

TRIBUNA CLASSISTA – Brasil

PO – Argentina

EEK – Greece

DIP – Turkey

MTL – Finland

ROR – France

PT – Uruguay

OKP – Russia

RPK – Russia

Eszmelet – Hungary

Levica – Macedonia

Marks21 – Serbia

Fondazia Dokumentalni – Bulgaria

23 September – Bulgaria

Heqiqat – Azerbaijan

Anúncios