Entrevista ao companheiro Nicolás Marrero, dirigente do Partido dos Trabalhadores do Uruguai
Pela redação do jornal Prensa Obrera, do PO da Argentina

— Houve ocasiões que se pôde observar-se que o PT conquistava posições sindicais –alguma importantes-, mas não conseguia se destacar como referência política…

— Em parte sim, porque tivemos um debate importante e já no ano 2007 decidimos mudar a consigna “por uma alternativa de esquerda socialista” pela tarefa de transformar o partido numa referência política nacional; isto é, consignas para abrir debates que impulsionassem a construção do partido revolucionário.

— O que lhes pareceu o último congresso da central operária, do PIT-CNT?

— Levamos ali consignas de que a classe operária seja parte do PIT-CNT com seus próprios representantes, não para que a burocracia se transforme em partido, como tentou fazer na Bolívia, mas sim para que esses representantes construam uma alternativa própria. Toda a esquerda uruguaia, os partidos tradicionais, do movimento operário – sobretudo o PC – começam a entrar em crise, enquanto o PT se começa a transformar numa referência política nacional.

— Em que se manifesta essa crise?

—Por exemplo, no ano passado rompeu-se a direção do PC em ADEOM, o sindicato municipal, e formou-se um agrupamento “apolítico”. Um colega nosso faz parte da diretora do sindicato e se abriu uma discussão importantíssima –inclusive interna, o qual é muito saudável – porque há ali uma disjuntiva para o movimento operário e para o próprio PT.

— Pensas que pode se romper a Frente Ampla?

—É possível, porque leva adiante uma política abertamente de direita. Agora está chegando no ponto de permitir a instalação de tropas norte-americanas para a reunião do G-20 em Buenos Aires. Mas esperar uma ruptura da FA que se desloque para o PT é uma pura ilusão, não podemos esperar que a Frente Ampla se rompa, mas sim desenvolver nossa própria política. O PT deve ser um sujeito político da luta de classes e um ponto de referência para a classe operária.

—Que iniciativas se propõem tomar nesse sentido?

— Abrir um debate entre os trabalhadores, enquanto intervimos na luta de classes quotidiana, para criar um pólo operário e socialista. Isso não quer dizer que pretendamos formar alianças com pequenos grupos sem representatividade, queremos uma referência de direção política real.

— Que se propõem para a próxima campanha eleitoral?

— Essa campanha está conseguindo impor-se, de modo que o partido deverá intervir. Já o fizemos nas últimas disputas eleitorais e serviram para multiplicar a voz do partido.

— Que se levam desta Conferência?

— Antes de mais nada nosso agradecimento ao Partido Obrero por ter nos convidado. Está sendo um passo na necessária refundação da IV Internacional.

Anúncios