Declaração do Partido dos Trabalhadores (Uruguai)

A jornada do dia 20/10 contra a ascensão do ultradireitista Jair Bolsonaro (“EleNao”) contará com atividades em numerosos países. Em Montevidéu haverá uma concentração em frente à embaixada do Brasil. A seguir reproduzimos a declaração do Partido dos Trabalhadores do Uruguai, que faz parte da Coordenadora pela Refundación da Quarta Internacional (CRCI).

O triunfo eleitoral nas eleições brasileiras do ultradiretista Jair Bolsonaro é a manifestação da enorme descomposição política e crise que atravessa o Brasil. Bolsonaro emerge frente ao fracasso e ao impasse do governo de Temer, e é a expressão política do golpismo, dos altos comandos do Exército que propiciaram o golpe contra Dilma Rousseff, e que depois desenvolveram uma sistemática intervenção no cenário político nacional. Trata-se de um avanço dos comandos militares que reagruparam a diversos setores políticos conservadores, entre eles os ruralistas e os evangélicos e que propõem um programa de guerra contra os trabalhadores, com métodos fascistas. A ascensão de Bolsonaro e seus grupos de tarefas encarnam o revanchismo militar, a defesa das ditaduras e o ataque às liberdades democráticas. Por isso, um governo encabeçado por esta personagem implica uma tentativa de avanço na militarização do Brasil, e na pressão do Exército sobre os poderes do estado; se trata de um governo militar com roupagem “democrática”. O programa de Bolsonaro propõe uma subordinação em regra ao imperialismo norte-americano, e uma entrega dos principais recursos naturais, a partir da privatização de Petrobrás e de todas as empresas públicas. Sua política além encontra-se a serviço do Pentágono e seus planos cada vez mais decididos em uma intervenção militar em Venezuela.

O PT que governou o Brasil mais de 15 anos, é o principal responsável pela ascensão destes setores reacionários, em primeiro lugar porque a partir de sua política de conciliação de classes, governou para o grande capital, os sojeiros, os industriais de São Paulo, e os grandes bancos. Em segundo lugar, porque a partir da adaptação e subordinação das organizações operárias produziu uma grande desmoralização e desmobilização dos explorados/as.

No cenário atual, o PT e seu candidato Haddad longe de enfrentar a ascensão do golpismo e dos grupos de tarefas, vêm propondo a estratégia da derrota, uma frente democrática com quanto de direita que encontra. O PT não tem feito nenhum balanço sozinho, de conclusão do golpe de Temer, e continua pela senda da conciliação e os acordos com a burguesia ainda que isso o leve ainda mais ao precipício. Trata-se de uma capitulação sistemática consciente, uma negativa a mobilizar às massas, que apesar do PT ter saído às ruas na mão do movimento de mulheres a repudiar Bolsonaro com a consigna de “EleNao”. É este movimento de massas o que abre uma perspectiva de luta ao que devemos saudar em uma frente única de classe para fazer frente ao avanço reacionário. Neste sentido, é que desde o Partido dos Trabalhadores chamamos a votar por Haddad no segundo turno com nosso programa, sem que isto implique nenhum tipo de apoio político. Pelo contrário, deixamos clara a estratégia política de capitulação que o PT vem desenvolvendo, e fazemos um chamado aos e as trabalhadores/as a tomarem as ruas.

No Uruguai, a Frente Ampla quer se valer dos resultados eleitorais do Brasil com o objetivo de subordinar ao movimento operário e apresentar-se como alternativa eleitoral frente aos Lacalle, Pou e Sanguinetti [NdR: dirigentes dos partidos Nacional e Colorado, respectivamente]. Mas,  igual que o PT de Lula se postulam para continuar com ajuste das despesas sociais de educação, saúde e moradia em função de pagar a fraudulenta dívida externa, entregar os recursos naturais, privatizar os órgãos públicos, aumentar a idade de aposentadoria e aplicar uma reforma antiooperária no sistema de pensões. Em definitivo, se postulam como uma alternativa para que os trabalhadores  paguem a conta da crise.

Também fazemos um chamado aos sindicatos, ao PIT-CNT, à FEUU [Federação Estudiantil] e todos os grêmios estudantis, ao movimento de mulheres e LGTB, aos movimentos pelos direitos civis e de direitos humanos a se pronunciar e impulsionar uma frente única de classe para enfrentar o ajuste em curso e os métodos do fascismo.

Por tudo isto, no que constitui uma nova jornada de mobilização, seguindo a convocação das mulheres brasileiras, pelo “EleNao” convocamos o 20 de outubro – no marco de uma mobilização continental- à embaixada do Brasil para repudiar esta virada política que pretende violentar aos explorados e exploradas do continente. Consideramos que a única forma de derrotar a ascensão militarista é com os métodos históricos da classe operária, a mobilização, a greve geral, e a organização de grupos de autodefesa do movimento operário.

Viva a luta dos trabalhadores e o povo brasileiro contra Bolsonaro e o avanço de direita!

Por uma grande mobilização continental

Pela Unidade Socialista de América Latina

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