Contra o fascismo e todas as alternativas burguesas,

 por um Governo dos Trabalhadores

 

Na última semana de campanha, que antecedeu as eleições presidenciais, já não havia mais nenhuma dúvida que estava consolidado o seu caráter plebiscitário em que o candidato do PSL, Bolsonaro, apresentava forte indício de ter estacionado nas pesquisas de intenções de voto e Fernando Haddad do PT, com uma tendência crescente rumo ao segundo turno.

A enorme tendência à rejeição ao candidato Bolsonaro, afeito a declarações recheadas de machismo, racismo, xenofobia e uma tendência fascistizante saiu das pesquisas e milhões tomaram as ruas do país, no dia 29/09, em atos convocados por iniciativa das mulheres nas redes sociais via #EleNão. A jovem autora da iniciativa de criar no Facebook o grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que já havia atingido 3,8 milhões de mulheres declarou: “Só acendi o fósforo”.

A Data Folha e o Ibope, respondendo aos atos de milhares de mulheres que marcharam contra o candidato Bolsonaro, um fascista de carteirinha, inflou as intenções de votos deste mesmo, numa tentativa clara de induzir o eleitorado a tentar inclusive evitar o segundo turno, escancarando a total parcialidade e falta de idoneidade destes institutos de pesquisas, utilizados abertamente para uma reação e uma ofensiva de uma candidatura que havia sido amplamente repudiada nas ruas por multidões de mulheres em todo o país e inclusive tomando uma dimensão internacional com atos em vários países de todos os continentes.

Um quadro eleitoral longe de ter sido o idealizado pelo capital. Um cenário no mínimo inusitado para o tacão de ferro do capital financeiro que após proscrever a candidatura de Lula, assiste uma polarização política entre a ultradireita representada por Bolsonaro e o PT, enquanto seu candidato preferencial Geraldo Alckmin e seus apoiadores praticamente jogaram a toalha, com chance cada vez mais distante de chegar ao segundo turno.

A burguesia, nestes marcos, vê a candidatura de Fernando Haddad como a mais viável, a mais flexível do ponto de vista dos interesses do grande capital, enquanto que Bolsonaro é visto como uma incógnita, imprevisível, a qual teme que se converta em um Erdogan brasileiro. Seu filho, Eduardo Bolsonaro, em ato realizado na Av. Paulista declarou que “as mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Não mostram os peitos nas ruas e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene”. Estamos frente a uma tendência fascistizante, típica de quem flerta com os programas de limpeza étnica e ideológica do nazismo, do sionismo (aliás, existe um compromisso de Bolsonaro com este último para expulsar a embaixada da Palestina do país como um dos seus primeiros atos de governo, caso vença a eleição). Seu vice, o general da reserva, Hamilton Mourão, o rei das bravatas golpistas, acusado de suposto “envolvimento em irregularidades no processo de contratação de um simulador de apoio de fogo pelo Exército” (Valor Econômico, 22/23/24/09), acabou de declarar que vai acabar com o 13º salário, uma conquista sagrada dos trabalhadores, causando uma crise interna na campanha ultradireitista.

O PT está aliado em 15 Estados com partidos que apoiaram o golpe e integram o governo golpista de Temer. A presidenta do partido, Gleisi Hoffman, declarou apoio à reforma da previdência. O PT segue a agenda que reivindica a burguesia, incluído o ajuste, o qual não é nenhuma novidade: o PT governou com o PMDB de Temer, geriu durante 14 anos os negócios do capital, iniciou o ajuste em 2014/2016, e comandou as negociatas de todas as construtoras brasileiras ao longo da América Latina e mais além.

Os recursos políticos com que o PT assumiria são muito mais escassos que outrora, com o agravante de não ter conseguido evitar a substituição de Dilma e a recente proscrição de Lula. Haddad, que nem sequer conta com o carisma e popularidade de seu padrinho político, deverá governar através de compromissos com os partidos aliados. Mas também com o MDB de Temer e com o PSDB, os quais integram a coalizão golpista governante, pelas Forças Armadas que estão ocupando um lugar cada vez maior no centro gravitacional no cenário nacional, e a Justiça cúmplice, cuja ofensiva foi chave para aprovar o golpe parlamentar, assim como a detenção e o veto da candidatura de Lula. Dias Tóffoli, recém empossado Presidente do STF, em palestra realizada no Rio de Janeiro, após seu padrinho político, José Dirceu, declarar que os poderes da suprema corte precisam ser reduzidos e que a mesma estaria agindo como “polícia política”, afirmou que o golpe militar de 1964, não foi golpe, foi um Movimento, e logo depois cercado por quase todo o arco golpista, inclusive pelo presidente Temer, em ato comemorativo à sua posse, bradou em alto e bom som para quem quisesse ouvir “nazismo nunca mais, fascismo nunca mais, racismo nunca mais e comunismo nunca mais”, colocando num mesmo plano as maiores excrescências que o capitalismo vomitou para a humanidade com a única perspectiva da humanidade se libertar de todos os males que essas mesmas causaram e podem vir a causar. É preciso responder em alto e bom som para este funcionário número um de plantão no supremo judiciário do capital, refém dos generais, que a luta por uma sociedade socialista, comunista, está em aberta oposição ao nazismo, ao fascismo, ao racismo e tudo o que há de ruim, de mal, que o capitalismo está ocasionando para a maioria da humanidade, com seu caráter intrínseco de destruição e autodestruição.

Seria Fernando Haddad, diante da envergadura da crise indissoluvelmente ligada à gigantesca crise internacional do capitalismo e que golpeia em cheio os países emergentes, capaz de comandar e impor para as massas a continuidade de um enorme sacrifício cada vez mais insuportável? Ou lhe estaria reservado pela História o mesmo destino de Dilma Roussef? Bolsonaro, sentindo-se ameaçado de entrar em queda livre nas pesquisas de intenção de voto, principalmente pela sua enorme rejeição, não conseguiu se conter e apelou deixando claro que não respeitará o resultado da eleição, caso seja derrotado.

Bolsonaro é o representante capitalista do revanchismo militar. Por isso, a derrota dos Bolsonaros pode produzir uma luta de massas com capacidade de desmantelar o aparato militar. A intenção do PT de deter, por meio de manobras parlamentares e da artimanha a greve geral, facilitando o golpe de estado que destituiu a Dilma Rousseff, resultou num fracasso completo. O golpe se incubou nas entranhas do PT: seu aliado Michel Temer e o PMDB, hoje MDB. Dilma nomeou o banqueiro Joaquim Levi, ao Ministério da Economia. O PT seguia uma tradição: Lula havia designado a um banqueiro de Boston para mandar no Banco Central, Henrique Meirelles. Se a dupla Lula-Dilma se negou a enfrentar o golpe com as massas nas ruas, por que haverá de fazer algo distinto Haddad? O melhor que pensa fazer é integrar os militares ao gabinete como Salvador Allende fez com Pinochet. 

Os representantes do golpismo, aliados do PT em 15 Estados, da federação, defenderão a Haddad, frente a uma arremetida dos militares de Bolsonaro, ou se inclinarão por sua vocação golpista? Por outro lado, Bolsonaro é utilizado como um espantalho para justificar o apoio político a Haddad. Haddad já deu seu apoio à reforma previdenciária, que o FMI considera a “mãe de todas as reformas”. Por isso, o seguidismo ao PT, em nome da luta contra a direita, é um beco sem saída. É necessária uma firme delimitação político-programática do nacionalismo de conteúdo burguês,

O caráter do segundo turno dependerá do realinhamento de forças. The Economist já advertiu que, para o capital europeu, Bolsonaro e um golpe militar seriam o mal maior. O que importa, finalmente, é o seguinte: o apoio a partidos e coalizões de colaboração de classes é uma via de derrota para os trabalhadores.

O agrupamento TRIBUNA CLASSISTA vota e faz um chamado a todos os trabalhadores a votarem na candidatura à presidência de Vera Lúcia, do PSTU, em defesa da independência política dos trabalhadores, para impulsionar a luta e intervenção independente dos trabalhadores, por uma frente única das organizações classistas e a construção de partidos operários revolucionários e por um CONGRESSO NACIONAL DE TRABALHADORES para aprovar um programa da classe operária frente a esta crise histórica e organizar a resistência do povo explorado ao ajuste capitalista e transformá-la em alternativa de poder.

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