Ângelo Henrique

Esse texto é um esforço reflexivo, para avançarmos na compreensão do mundo capitalista e da nossa condição de existência hoje, explicar nossa realidade, assim fornecer a compreensão dos fundamentos pra lutar contra a exploração, para isso é necessário compreender o trabalho no modo de produção do capital.

Capitalismo, trabalho assalariado e propriedade privada

O capitalismo é um modo de produção que determina todo o metabolismo social, determina como se dão as relações entre as pessoas na sociedade e a forma como o homem se relaciona com a natureza, tem por base a propriedade privada dos meios de produção; ou seja, de um lado os capitalistas senhores das fábricas e do outro os trabalhadores que vendem a sua força de trabalho através do assalariamento, seja mensal, seja semanal, seja ele pela CLT ou estejam no mercado informal, o capitalismo é a escravidão assalariada. Hoje os trabalhadores não mais pertencem a um senhor fixo mas a toda uma classe de exploradores a burguesia.

Lógica expansiva do capitalismo

O sistema capitalista tem uma lógica que é a busca do lucro, a mais-valia, esta é a nova forma de exploração do homem pelo homem. Por exemplo, um valor de 1000 reais na forma de capital após um mês se transformam em 1200 reais; qual é a “mágica” por detrás desse movimento de dinheiro que produz mais dinheiro? Karl Marx nos prova que o único investimento que pode valorizar-se é o investimento no trabalho vivo, na força de trabalho; com suas mãos os trabalhadores põem em movimento as máquinas transformando a matéria em mercadorias, observando o capital investido do exemplo, 1000 reais, 800 foram em capital fixo (máquinas, matérias primas, auxiliares, prédio etc.),  200 capital variável (força de trabalho) e depois de um mês o capitalista pode vender as mercadorias produzidas com acréscimo, devido ao trabalho não pago aos produtores, que produziram os valores de 800, os 200 mais 200  de lucro; agora o capitalista tem o valor de 1200, pode começar novamente o processo ou fazer outro movimento com o capital acumulado, importante entender que a classe operária   produz a riqueza  ao mesmo tempo reproduz o capitalismo que o explora, desta forma aumenta o poder do capital frente ao trabalhador individual.

Capitalismo sistema que necessita da miséria

Agora, aonde começou tudo isso, como surgiu o capitalismo? O capitalismo surge na Europa, todos já ouviram a história da Inglaterra, sua revolução industrial, das indústrias têxteis de Manchester, Liverpool, indústria naval de Bristol, etc. e suas jornadas de trabalho de 12, 14 horas diárias. As condições infernais de trabalho no século 19, época do capitalismo liberal. A base desse processo foi a chamada acumulação primitiva; na Inglaterra, o camponês produzia sua subsistência, seu alimento, realizava a produção de alguns variedades de artigos; como nos teares manuais,   ocorre um processo brutal, violento de expropriação desses trabalhadores, foi parte do movimento da chamada acumulação primitiva do capital, os camponeses são expulsos dos campos que viram pastagens para ovelhas, esses campos passam a  produzir lã para a indústria têxtil que se expandia, ocorre o processo de separação dos trabalhadores dos meios de sua subsistência,  assim são obrigados a aceitar as condições miseráveis de existência naquelas cidades inglesas, que cresciam vertiginosamente com o desenvolvimento do capitalismo. O processo de exploração escravagista no continente americano, a separação entre os trabalhadores e suas ferramentas, permite o surgimento do modo de produção capitalista. Os burgueses se tornam a classe hegemônica após a luta com a nobreza e o clero, assim rompendo as amarras políticas jurídicas do feudalismo. Desta forma, o capitalismo se expande,  é importante entender que a miséria é condição vital do capitalismo desde seu surgimento até o momento em que vivemos,  a crise humanitária é a constante do sistema!

Estado capitalista, regulação da exploração

Na época liberal do capitalismo, quando surgem as grandes indústrias mecanizadas, maquinários concentradas no mesmo local, após espoliar os camponeses de suas terras, retirar seus meios de subsistência, o capitalista nesse momento passa a explorar sem restrições, jornadas continuas, crianças,mulheres grávidas em condições das piores que se possa imaginar. O inferno dos trabalhadores ia além da fábrica, obrigados a se concentrar nos entornos em habitações miseráveis, sofrendo em meio às doenças que se espalhavam tanto pela má alimentação quanto pela habitação sem nenhum cuidado sanitário; os burgueses vendo escassear operários adultos no mercado, vêem a necessidade de extrair seus lucros de forma organizada e racional, criam leis e através de seu Estado buscam regularizar a exploração do trabalhadores; do outro lado a resistência operária ganhava vulto lutando por melhores condições de trabalho, os trabalhadores começavam a compreender a força de sua união e a necessidade de lutar juntos enquanto classe; em vários pontos da Europa começavam as batalhas frente às ditaduras das fábricas, conquistando direitos políticos de organização, leis trabalhistas e  lutavam por emprego, melhores salários, redução da jornada.  As demandas se multiplicavam e avançavam, intervalos de almoço, férias, direito de se organizar. Desde essas lutas até hoje tivemos conquista evidentes, mas o movimento é contraditório, podemos cair em condições de vida cada vez piores, os direitos conquistados ontem podem ser retirados hoje, a escravidão volta a ganhar espaço na Líbia, mais um horror que estamos vivendo.

Dominação ideológica

No capitalismo existem outras classes, como a pequena burguesia, classe média, camponeses enfim, mas o central é a classe operária e a classe capitalista, é necessário compreender a dominação ideológica do capitalismo em todas as suas formas,  reflexão essencial porque o capitalismo não é só fábrica, a moral burguesa imprime sua dominação ideológica de uma forma de enxergar o mundo, uma racionalidade, alienação. Reificação, em termos, significa a exploração e dominação pela lógica da mercadoria nas relações sociais com altas doses de hipocrisia, individualismo forjam as correntes que nos prende à escravidão assalariada, entender  o Estado capitalista e todas suas mudanças, entender as diferentes formas de organização do trabalho: fordismo, toyotismo nada mais são que a organização do trabalho e servem para impor a racionalidade da exploração.

Para nós trabalhadores é urgente buscar entender o funcionamento do capitalismo que entra numa crise a nível mundial e que arrastam milhões à miséria e às formas de barbáries, violência e guerras, devastação ambiental. Não, outro caminho é necessário: a luta pelo socialismo.

 

 

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