Por Rafael Santos

O imponente bloqueio de vias de quase duas semanas dos caminhoneiros, que conseguiram fazer o governo retroceder e uma redução efetiva (ainda que temporária) das tarifas de diesel, eletrizou as massas brasileiras. “Podemos”, foi a reflexão de muitos trabalhadores, que querem enfrentar os crescentes ataques do governo Temer a suas condições de vida e recuperar suas conquistas.

Os caminhoneiros

Antes que se suspendesse luta caminhoneira (que inclusive continuava em alguns setores), no 1° de junho saíram à greve de 72 horas os petroleiros. Sua federação sindical (FUP) declarou que se tratava de uma paralisação de “advertência”, que em caso de não encontrar respostas se lançaria à greve por tempo indeterminado. Mas depois do primeiro dia de paralisação unânime, a direção petista da FUP – sem consulta alguma com os trabalhadores – suspendeu a medida de força. Por sua vez, o “independente” poder judicial sancionou multas ao sindicato de meio milhão de reais por cada dia de paralisação e as Forças Armadas ocuparam destilarias e centrais. A paralisação não retrocedeu por temor dos trabalhadores, mas sim por uma decisão da direção burocrática, submetida à política do PT de dar garantias à classe burguesa e ao governo de que está contra “o caos” e que quer a estabilidade deste governo e do processo eleitoral. Isto apesar de que seu máximo dirigente, Lula, está preso e eleitoralmente proscrito.

A greve petroleira teve, no entanto, fortes consequências políticas: o diretor da Petrobras, Pedro Parente, o homem que veio a acelerar os processos de privatização, apresentou sua renúncia. Trata-se do Aranguren (ministro de energia e ex-presidente da Shell da Argentina) de Brasil. É que o governo teve, com os caminhoneiros, que dar marcha atrás ao acordo estabelecido pelo governo Temer com as petroleiras de manter indexadas as tarifas das naftas e derivados do petróleo ao preço internacional (em aumento pelo boicote de Trump contra Irã, entre outras causas) e à crescente desvalorização do real, a moeda brasileira – o que determinou um tarifaço permanente, que supera 50% de aumento no último ano.

As reivindicações dos petroleiros eram não só a renúncia do privatizador da Petrobras, como a luta pela renacionalização de 100% da mesma (hoje empresa mista com mais de 50% nas mãos de monopólios, em sua grande maioria estrangeiros, e novas licitações em marcha para privatizar destilarias e dutos) e o rebaixamento do preço dos combustíveis. O levantamento unilateral da paralisação petroleira pela burocracia da FUP é uma corda de auxílio atirada ao governo Temer, que tendo fracassado inclusive usando forças militares contra caminhoneiros e petroleiros, não conseguiu dominar a situação.

As pesquisas indicam que a imensa maioria do país (mais de 80%) apoiavam as lutas dos caminhoneiros e petroleiros. Mas as centrais sindicais (salvo o Conlutas), em primeiro lugar a CUT dirigida pela burocracia do PT, fizeram ouvidos surdos à tendência popular, negaram-se a mobilizar e convocar a paralisação e a Greve Geral.

De forma falsamente “realista” coloca suas fichas na campanha eleitoral de outubro próximo. Para isso desmobiliza as lutas que brotam da resistência das massas contra os planos fundo monetaristas. Usa para isso o espantalho do “golpe” que se poria em marcha para impedir as eleições: sai em defesa da institucionalidade do golpista Temer que não vacila em militarizar o país (Rio de Janeiro, ocupação de destilarias, etc.) e enfrentar as luta operárias. Mas é justamente o contrário: a desmobilização das massas pode animar aventuras golpistas se a burguesia não encontra – com Lula preso e proscrito – uma candidatura de importância que assegure uma saída eleitoral estável.

É necessário um Congresso de Bases do movimento operário para votar uma plataforma de luta e organizar a paralisação e a greve geral: pela renacionalização de 100% da Petrobras, sem pagamento de indenização alguma aos monopólios que estão lhe desvalorizando, e colocação em marcha sob controle direto dos trabalhadores. Pela anulação da reforma trabalhista antioperária e a retirada do projeto da reforma previdenciária reacionária. Reincorporação imediata de todos os demitidos. Anulação dos tarifaços. Aumento de salários e aposentadorias emergencial. Fora os militares de Rio de Janeiro – cuja ocupação só trouxe o assassinato de ativistas opositores – e das luta operárias e populares. Liberdade a Lula e desprocessamento de todos os lutadores operários e dos explorados.

(Imagem de Sindicato dos Metroviários de SP)

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