Por Paulo Pinho, da Tribuna Classista do Rio de Janeiro

A crise Argentina provocada pela corrida ao dólar, e taxas de juros de 40%, tende a transbordar  e junto com a crise econômica e política no Brasil, levar estes dois pais ao centro da instabilidade na  America Latina. Nestor Pitrola- dirigente do Partido Obrero- em entrevista para o canal de televisão C5N fala “Esta desvalorização das últimas semanas  implicam em um aumento de 6% nos alimentos”… “ isto é un colapso das familias e do mercado de consumo, que move 70% da economía; quer dizer, que estamos diante de um elemento recessivo muito profundo” Acrescenta ainda que “é um cenário de esfriamento, de congelamento y de colapso econômico”.

No Brasil os analistas falam e pequena margem de contágio, mas já levantam uma conseqüência inevitável :  “Em 2018, de janeiro a abril, as exportações (brasileiras) cresceram mais 15%. No topo da lista estão automóveis, veículos de carga, tratores e chassis. Uma crise prolongada por lá acabaria por afetar a recuperação das montadoras brasileiras”.

Em poucos dias o Governo Macri passou do queridinho do capital financeiro americano, elogiado por Trump, e porta voz da política imperialista na America Latina, para a condição de distanciamento dos fundos especulativos internacionais.  A revista financeira internacional Forbes, com sede em Nova York, informa que é hora de “sair correndo” da Argentina.  Os fundos vendem posições compradas no mercado financeiro local e adquirem dólares para retirar do país .  Tanto na  Argentina como no Brasil os defensores da política oficial atribuem tal situação a erros cometidos pelo governo argentino.  A principal colunista econômica do Globo aponta em 05/05 o “Erro Argentino” ( “não conseguiu baixar a inflação”, “atuação vacilante do Banco Central” ) e finalmente coloca a culpa da crise na própria população argentina quando diz que a “a sociedade argentina busca proteção na moeda americana quando a incerteza aumenta”.   Na verdade o que se quer esconder é o limite da política macrista de resgate do capital por parte do Estado.  Esta crise é conseqüência das dividas do Estado argentino (política de endividamento) serem maiores que seus ingressos, que cresce o déficit comercial e o aumento inflacionário.

Nestas condições se opera uma igualdade entre os governos. SE TEMER NÃO FOI A MACRI. MACRI VEIO A TEMER.

Uma caracterização materialista da crise e necessária para que se possa tomar a iniciativa no campo de luta das massas. Reproduzimos abaixo trechos da Declaração da Conferencia Internacional realizada em Buenos Aires em 2 e 3 de Abril :

América Latina se destaca, na presente etapa, pelo fracasso  das experiências ‘nacionalistas’. Todas elas vieram a luz como conseqüência da crise mundial, em suas sacudidas previas ao estouro de 2008. Foram o instrumento de una operação de resgate do capital e se afundaram, no período recente, pela mesma crise mundial.  O esgotamento ‘nacional y popular’ criou una situação particular: o surgimento de governos de direita, uns por meio de eleições, outros por meio de golpes de estado “parlamentares”.           Al lado destas experiências se desenvolveram lutas massivas, ainda que Macri e Temer tenham conseguido fazer passar reformas estratégicas antipopulares com a colaboração do peronismo e do PT. A recente crise ( agora com Macri ) e queda de Kuczynski (Peru) deixa claro que a direita não reúne as condições políticas para estabilizar a região.

Anúncios