O mês de Maio de 1968 foi explosivo. Na França houve uma onda de ocupações de fábricas e escolas que durou semanas e deu origem a uma Greve Geral, chegando a fazer com que o presidente De Gaulle se refugiasse na Alemanha. Os trabalhadores se mobilizavam inclusive a contragosto das direções sindicais stalinistas e maoistas, e criticavam o imobilismo das burocracias sindicais.

A Greve Geral francesa em 1968 teve adesão de mais de 11 milhões de trabalhadores, e até hoje é a maior da história recente do país. Tiveram papel importante na paralisação os metalúrgicos da Sud Aviaton em Nantes e os da Renault em Rouen. Mesmo com os sindicatos negociando um aumento salarial de 35%, os trabalhadores se negaram a cessar a greve, e decidiram ocupar as fábricas.

As mobilizações do Maio de 1968 não aconteceram apenas na França. Na Tchecoslováquia teve lugar a Primavera de Praga, uma grande luta de massas contra o regime stalinistas, que só foi contida após invasão militar da União Soviética. Trabalhadores de outros países da Europa também entraram em processo de luta, assim como no México.

No Brasil, que vivia a ditadura, estudantes se mobilizaram contra as políticas do EUA para as universidades brasileiras. As manifestações começaram em Março, após o assassinato do estudante Edson Luis pela ditadura no Rio de Janeiro. Tamanhos foram os atos que a ditadura resolveu impor, no final do ano, o Ato Institucional Nº 5 (AI5), extinguindo as poucas liberdades democráticas que ainda havia no país.

Em 2018, cinquenta anos depois, a classe trabalhadora se coloca novamente em movimento. Liderados pelos ferroviários, que enfrentam a tentativa do presidente Macron de reestruturar a empresa nacional de trens, os trabalhadores franceses têm realizado grandes greves e manifestações em todo o país. Macron nem sequer mandou ao Congresso a proposta de reforma, tentando aprová-la às pressas, sem debates públicos, por decreto.

Após o início da greve dos ferroviários, os aeroviários e estudantes se somaram à luta, colocando o governo e a burguesia francesas em estado de alerta. As greves de ferroviários e dos aeroviários na França é perolada, ou seja, há dois dias de paralisação a cada cinco dias de trabalho.

Nas próximas semanas estará em jogo o futuro imediato do governo e do movimento operário francês no próximo período. Se à crise capitalista se agrega uma crise política provocada por uma derrota do governo de Macron poderá se abrir um período da renovação da luta de classes e das possibilidades de organizações e intervenção revolucionária da vanguarda militante na França.

Simpósio na USP: Cinquenta anos de 1968, a Era de Todas as Viradas

De 6 a 8 de junho em São Paulo, SP.

Com a participação de Jorge Altamira e Nestor Pitrola (Partido Obrero da Argentina), Lucia Siola (Partido dos Trabalhadores do Uruguai) e Edgardo Luguercio (Tribuna Classista).

Inscrições e mais informações em: http://1968.fflch.usp.br/

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